Introdução

O Jornal Literário Tentativa editado em Atibaia, entre 1949 e 1951, ainda é uma obra a ser descoberta na cidade e no país. Difícil tecer juízo de valores, mas levando-se em conta alguns parâmetros chegamos à conclusão de que esse é nosso maior bem cultural. Tentativa extrapola limites regionais e ganha importância com o passar do tempo. E o tempo é o melhor juiz. Quantas obras resistem a ele? Uma das razões desse site é justamente disponibilizar o trabalho do homenageado ao maior número de pessoas – e assim fizemos com o Tentativa, que a partir de agora ganha visibilidade. Preso aos poucos arquivos, ou restrito aos portadores do fac-símile editado em 2006, Tentativa ganha agora caminhos insondáveis dos meios virtuais. Com isso estudantes, pesquisadores, professores e interessados poderão conhecer e reconhecer sua importância, acrescido também de texto introdutório e um índice, com a súmula das matérias contidas no jornal. Este fato contribuirá a quem quiser estudá-lo em profundidade. Trabalho de fôlego de Osvaldo Duarte, responsável também por fechar um quebra-cabeça até então incompleto. Poucos tinham conhecimento do último Tentativa, o de número 13, inexistente na cidade e fora da edição fac-símile. Osvaldo gentilmente cedeu uma cópia para esse site. Profundo conhecedor da obra de André Carneiro, melhor que ninguém, ele conhece os meandros do universo criativo do homenageado e com seu trabalho presta inestimável serviço à cidade de Atibaia.

Olá, Zago. Fico muito contente que tenha a sorte, de alguma maneira, de participar dessa história. Sou quase um aventureiro clandestino nisso tudo. Encontrei o André meio por acaso e fui me enredando no mundo em que ele viveu e no mundo que construiu com sua obra. Mas a história é assim. É preciso estar em movimento para fazê-la. Por isso, agradeço-lhe por me trazer de volta. Penso, aliás, que há muito a ser feito com relação à obra do André. Envio o texto introdutório, como prometido. Como poderá ver, fiz mudanças pontuais, mas importantes, seja para ajustar alguma ideia, seja para posicionar o trabalho em um novo contexto, tendo em vista a publicação que pretende fazer. Caso tenha alguma observação a fazer, peço que fique à vontade e não tenha pudor de fazer. Esse tipo de interlocução é sempre muito importante. Enviarei logo mais o Índice do qual lhe falei.

Um abraço, Osvaldo Duarte


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O uso desse material esta sujeito às regras estabelecidas na página inicial à esquerda. Copias em PDF: mauscarneiro@hotmail.com

 

O jornal Tentativa e a sua contribuição à história da literatura

Osvaldo Duarte

 

A publicação, em edição reunida, de todos os fascículos do jornal Tentativa (1949-1951) nos autoriza a pelo menos uma certeza: os estudos de historia da literatura devem a si mesmos – como resposta à ambição de que se compõem – voltarem-se mais atentamente para os jornais e revistas literárias. Lá estão agrupamentos inteiros que se dissiparam, encouraçados em ruína, inteligências insurrectas, obras que esperavam ser escritas, escritores que se lançavam em desespero para romper a muralha do anonimato. Lá os encontramos, uns em projeto, outros em fase de lapidação, prudentes ou aventurosos, inspirados ou cépticos se entregando às esferas insondadas da linguagem. Lá estão as justificações daqueles que resistiram ao tempo e às intempéries da atividade literária.

Não quero dizer aos historiadores que dispensem seus cálculos àquilo que estando a caminho ainda não se impôs como literatura, pois cabe aos críticos essa apreciação. Lembro, apenas, que as publicações avulsas, os jornais e as revistas literárias não estão apartados da história e nela não se pode ignorar, mesmo que em seu domínio pré-literário, a origem, o substrato ou subtraço da vida literária.  É nesse sentido que festejamos a publicação do jornal Tentativa, não só porque nos fornece informações sobre os autores ali publicados, mas porque nos oferece dados importantes sobre as reflexões em torno da literatura dos primeiros cinco anos do pós-guerra e especificamente sobre a geração de 45.

Apesar do acontecimento literário que representa esta publicação, demoramos um pouco a compreender a dimensão e o valor do jornal Tentativa até constatarmos que só agora, depois de mais de sessenta anos, desde sua publicação, começam a aparecer as citações mais substanciosas a seu respeito, quer em ensaios críticos, referências bibliográficas ou em meio eletrônico, a exemplo do que fez a poeta portuguesa Sandra Costa em sua home page. Que jornal foi esse, perguntamos intrigados. Um jornal que parecendo ressurgir do nada, estimula-nos a revolver terrenos e situações que a todos pareciam cimentadas.

A idéia inicial é a de que teria funcionado apenas como a contracena da Geração de 45, o que já seria muito, considerando-se a escassez de documentos sobre o assunto. O que verificamos, contudo, inclusive como problema de memória cultural, é que o jornal Tentativa pode ter sido um dos mais importante veículos de divulgação literária do seu tempo, se o compararmos a jornais ou revistas como Ângulos, editada em Salvador; Vocação, de Belo Horizonte ou a Revista de Novíssimos editada por Célio Benevides, Fernando Henrique Cardoso e Haroldo de Campos. Havia ainda a revista Clã, de Fortaleza; Bando, de Natal; e, em São Paulo, dirigida por Rolland Corbisier, a revista Colégio, que numa vertente mais ou menos oposta poderia ter ocupado o espaço deixado pela revista Clima, criada por Antonio Candido e seu grupo. Nesse universo, é importante registrar que esses veículos de difusão literária, divulgação de autores e de crítica, se resultavam de concepções diversas, visavam aos mesmos objetivos: em aspectos mais amplos, uma incalculada defesa da arte e das ideias e, na raiz, o desejo individual de liberdade na disputa pela exposição e fixação, quer de obras individuais, quer do projeto intelectual de cada grupo, sem dispensar, evidentemente, uma variada rede de conflitos de ordem interior, resultantes do clima após-guerra.

Em âmbito estético, pareciam todos vinculados a uma compreensão dirigida daquilo que teria sido a última análise de Mário de Andrade sobre do Modernismo. Reportadas fora de contexto, as posições severas do crítico acabavam reduzidas a expressões lapidares como “direito permanente à pesquisa” e “atualização da inteligência brasileira”, repetidas como palavras de ordem por um sem-número de jovens intelectuais que as tomam como se fossem a sua própria novidade, e eles, os demiurgos responsáveis pela estabilização de uma consciência criadora em nossa literatura, como imaginara Mário. É o que registram, por exemplo, certos textos de revistas de jovens como Clima (1941-44), Colégio (1948), Revista de novíssimos (1950), Orfeu (1947) e alguns dos depoimentos da Plataforma da nova da nova geração. Tão contundentes as palavras e os gestos, que suscitam atitudes destemidas, afeitas a condenar ou defender, criticar e principalmente julgar, investidas de um poder conferido por um símbolo apresentado como heráldica dos jovens burgueses da época: a formação universitária.

O jornal Tentativa, fora desse eixo de valor, já aqui se diferencia. Estava ligado mais à imagem de Oswald que às idéias de Mário e era produzido por jovens intelectuais de uma pequena cidade do interior paulista, aonde o Modernismo chegara mais ou menos filtrado das suas polêmicas. É justamente por isso que Tentativa mais nos encanta: o seu desejo e disfarce cosmopolita, como se ao olhar com dissimulado senso de superioridade e por sobre os ombros, deixasse ao largo a geração de 45, de onde emergia, e fosse ter com Oswald de Andrade, em São Paulo, com Drummond e Murilo Mendes, no Rio de janeiro, e com Vergílio Ferreira, em Portugal, trazendo-os para suas páginas com colaborações inéditas, sem nenhum peso de responsabilidade ou senso de culpa. Na crítica, as relações eram igualmente incomuns. Seus colaboradores pertenciam às gerações de 20, 30 e 45 e as opiniões, não raro dissonantes, colocadas lado a lado em estranha combinação, só possível a um jornal que se valia do sotaque interiorano como ponto neutro, propício à fusão de idéias e conceitos. Assim, era possível colocar lado a lado Sérgio Milliet e Fábio Lucas, Otto Maria Carpeaux e Domingos Carvalho da Silva, Roger Bastide e Menotti Del Pichia, além do contato com formações muito distintas dentro de uma mesma geração, como as de Péricles Eugênio da Silva Ramos e Antonio Candido.

A leitura comparada do jornal mostra-nos que Tentativa procurou inserir-se, pelo menos em São Paulo, num espaço de divulgação e crítica não explorado por revistas como Clima, do grupo de Antonio Candido e Revista brasileira de poesia, do grupo de Péricles Eugênio da Silva Ramos. Se essas revistas tinham como patronos Sérgio Milliet e Mário de Andrade e buscavam o estabelecimento de novas posições críticas e criativas, Tentativa passeava imprudente entre o fogo cruzado das gerações, com momentos que lembram a ousadia da revista Joaquim (1946-48). Consideradas as diferenças de objetivo dessas publicações, uma, um jornal de divulgação, e, as outras, revistas planejadas com o propósito de expor as posições teóricas a que seus grupos haviam chegado, são intrigantes as semelhanças no trajeto percorrido, a começar pela apresentação do primeiro número de duas delas: Clima convidara Mário de Andrade para a abertura do seu primeiro número e Tentativa, que nascera como reflexo da atuação final de Mário e se beneficiaria da atenção dedicada de Sérgio Milliet aos novos, convidava ninguém menos que Oswald de Andrade para fazer sua apresentação.

A escolha de Oswaldo coincide com o momento em que o escritor modernista passa a ser estudado de forma objetiva, desprendendo-se da imagem galhofa difundida pelo senso comum. Nesse sentido, o grupo de Tentativa participa daquilo que se poderia chamar de antropofagia ao contrário, conforme relato que há alguns anos ouvi de André Carneiro e, algum tempo depois, com propósito diverso, de Décio Pignatari. De acordo com os dois poetas, no final do decênio de 1940, início de 50, Oswald já não tinha interlocutores e se acercava de jovens como inevitável forma de resistência. Fazia, então, uma antropofagia ao contrário: alimentava-se do desejo daqueles jovens audaciosos e desiludidos com os rumos seguidos pela poesia brasileira, ao tempo em que era devorado por eles. E foi sob esse clima, que, em 26 de fevereiro de 1950, o Oswald fantasista concedeu entrevista sugerindo criar a partir do grupo de Tentativa uma espécie de Ateneu nas serras de Atibaia.

Criado pelos poetas André Carneiro, Cesar Memolo Jr e Dulce Carneiro, Tentativa foi publicado em Atibaia, interior de São Paulo, entre abril de 1949 e maio de 1951, em treze edições bimestrais, sendo as duas últimas comandadas apenas de Cesar Memolo. Chama-nos logo a atenção o elaboradíssimo plano editorial encetado: uma matéria de primeira página e outra, eventualmente fechando cada número do jornal, servem literalmente como baliza de opinião. Nestas páginas há sempre um nome de relevo, seja da geração nova, como Domingos Carvalho da Silva, Lorival Gomes Machado, Cassiano Nunes ou André Carneiro, seja das gerações mais antigas com seus autores já consagrados como Sérgio Millet e Oswald de Andrade ou em processo de consagração, como Murilo Mendes e Otto Maria Carpeaux. Aparecem ainda, compondo a extensa lista de colaboradores, nomes como Guilherme de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Henriqueta Lisboa, Vinícius de Moraes, Lêdo Ivo, Emílio Moura, Lygia Fagundes Teles, Autran Dourado, José Paulo Paes, Décio Pignatari e muitos outros, com colaborações inéditas e especiais.

Tentativa consolida-se rapidamente como veículo de divulgação literária e, em exatos dois anos, goza de notável prestígio, com correspondentes em centros culturais como Buenos Aires, Lisboa e Paris. Hoje, transcorridos pouco mais de sessenta anos, é possível avaliar sua projeção e permanência, seu valor como acervo de textos de criação, textos de intervenção na vida cultural e sobre os elementos formadores do que se passou a chamar imprecisamente de geração de 45. É nesse sentido que o jornal Tentativa pode contribuir de forma ainda mais extraordinária: Quero dizer que as suas escolhas, seu percurso peculiar, sua insistência em aproximar autores e tendências diversas, mostra-nos previamente que a denominação “Geração de 45” estava fadada a ser um espaço vazio, uma zona de fronteira que o tempo mostraria ser pátria esquecida ou denominação que ninguém quer. A mobilidade da publicação, o acervo desigual e posições heterogêneas levam-nos a pensar, por exemplo, (para além do jornal) menos numa geração de 45 que numa arte brasileira do pós-guerra, cujas articulações se estendem às décadas seguintes, depurando obras e refinando talentos hoje estabelecidos, como Franz Weissmann, Carybé, Geraldo de Barros e Aldemir Martins, nas artes plásticas, e entre os escritores, André Carneiro, Afonso Ávila, Alphonsus de Guimarães Filho, Bueno de Rivera, Cyro Pimentel, Domingos Carvalho da Silva, Ferreira Gullar, Geir Campos, Hilda Rilst, Ilka Brunhilde Laurito, José Paulo Paes, Lêdo Ivo, Manoel de Barros, Marcos Konder Reis, Mário da Silva Brito, Mauro Mota, Moacir Félix, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Renata Pallottini, Stela Leonardos, Thiago de Mello ou mesmo Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari egressos do Clube de poesia, o quartel general da malfadada geração, em São Paulo.

Esse perfil é o que melhor justifica o interesse do jornal. Trata-se, pois, de um acervo que se coloca (agora) à disposição da arqueologia literária completamente virgem e ignorado. E nesse sentido, não só nos apresenta uma série de textos em primeira versão e indícios da primeira recepção de outros, como restabelece historicamente um recorte e registro de um período da literatura nacional concretamente pouco estudado. Oferece-nos ainda textos que podem não ter sido recolhidos por seus autores por escaparem ao interesse e organização de obras em gestação, e o mais importante, tira da clausura uma série de textos retidos pelo esquecimento por mais de meio século. Ficamos sabendo, por exemplo, que Ferreira Gullar escrevera um livro de contos, As paredes, que não aparece em sua bibliografia; que Leonardo Arroyo vencera o concurso literário do jornal e que Osman Lins concorrera com o livro Os Sós, do qual não se tem notícia. Encontramos também, entre outras peças, a versão original de um texto de Lygia Fagundes Telles que viria a ser publicado em livro quase três décadas depois e um texto de Murilo Mendes, Juan Miguel, dedicado a Gabriela Mistral, talvez perdido pelo autor e não incluso, até então, em sua Poesia completa e prosa.

Quanto ao material publicado nas 13 edições, o leitor encontrará desde poemas recebidos de diferentes pontos do país e do exterior a notas sociais, passando pelos contos, crônicas, comentários críticos sobre literatura, artes plásticas, cinema, teatro, filosofia e entrevistas que pretendem cotejar, sobretudo, a opinião dos escritores a respeito dos valores da arte, das condições da literatura da época e da propalada oposição entre as gerações de 22 e 45, assunto que agitava os ânimos literários daquele tempo. Entre essas entrevistas, é possível destacar aquelas concedidas por Graciliano Ramos, Sérgio Millet, José Lins do Rego e Otto Maria Carpeaux, além dos depoimentos de Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade, Roger Bastide, Murilo Mendes, Lygia Fagundes Telles, cujo pano de fundo nos oferece um organizado painel da vida cultural do início da década de 1950.

O eixo dessas entrevistas são perguntas procedentes de duas afirmações dubitativas: (a) se teria surgido após 1945 uma nova poesia, menos ou mais expressiva do que a das gerações anteriores, e (b) se o hermetismo da nova poesia era resultante de uma busca do essencial poético ou reflexo inevitável de uma época conturbada. Menos pergunta que respostas, essas questões projetam conceitos dúbios, suscitando e ao mesmo tempo abafando polêmicas, estimulando e ao mesmo tempo inibindo a reflexão, dando, contudo, espaço às mais variadas opiniões: Para Ledo Ivo, por exemplo, o problema da literatura emergente não era o de libertar-se ou não dos modernistas, mas de incorporar conquistas, transfundindo esse patrimônio num método de composição mais ou menos pessoal. Para Sérgio Milliet, não se tratava de uma poesia nova, mas de uma poesia diferente, visto que o advento de uma nova poesia exigiria dos moços uma nova mensagem, como foi o caso dos românticos, dos simbolistas e dos modernistas de 22. Para Oswald, os moços de 1945 e 1950, não podendo fazer revolução, provocaram turbulência, revolta e reivindicação justa contra o que chama de Academismo modernista, prosseguindo, de certo modo, no caminho das experiências rebeldes.

A verdade é que as mudanças da ordem geral estabelecida vinham sendo solicitadas há bastante tempo e os novos gestos e discursos escorriam pelos jornais e revistas literárias em vários pontos do país quando Domingos Carvalho da Silva resolve decretar a morte do Modernismo, como se fosse necessário tropeçar nas ruínas do Estado Novo para perceber que a festa estava acabada. A Declaração de princípios do Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, de 1945, aponta nesse sentido. Ao escritor, dizia Alceu Amoroso Lima no mesmo ano, cabe colocar-se dentro do livro e também dentro da vida. E Álvaro Lins, já em 1941, dizia em um artigo para o jornal Correio da Manhã que o intelectual do tempo não teria somente a tarefa de realizar a sua obra, mas também a de defender condições de vida que tornassem essa obra possível. O problema, talvez, é que o afã questionador das gerações de 40 e 50 não tenha tido a rebeldia necessária capaz de ultrapassar o debate periférico, ficando a revolução política e cultural à mercê dos oficiais de gabinete pouco preparados para pensar o país.

Merecem nota também alguns artigos sobre a profissionalização do teatro e a sua revisão de linguagem, sobre a cultura popular e o folclore e sobre o cinema brasileiro. Na crítica, é necessário frisar a presença de Otto Maria Carpeuax, que em uma de suas aparições brinda-nos com o Cancioneiro Paulistano em que compara as obras do italiano Teófilo Folengo (que escreveu sua própria língua Mac-caronica) às produções de Júo Bananére.

Tentativa era definido pelos seus editores como jornal “aberto a todas as tendências” e surge num momento de impasse político, histórico e cultural, como observa Oswald de Andrade no texto de abertura do primeiro número do jornal. Um momento, aliás, diante do qual era prudente escusar qualquer posição pronta e definitiva. Enfim, um momento de Tentativa. Com esse nome, diz Oswald, os redatores do jornal alcançavam todo o grave sentido que tomara a humana poesia desde Hölderin. Com Tentativa, estava indicado um caminho e creio residir aí a dominante que define a inclusão dialética de ordem e desordem, avanço e parada, tradição e modernidade naqueles autores, que atentos à dinâmica histórica, se ocuparam da literatura e da crítica literária brasileira nas últimas décadas.

Por fim, quero que esta apresentação alcance também a categoria de homenagem que faço a André Carneiro e Maria Lúcia Pinheiro Sampaio que no início da década de 1990 permitiram a reprodução das suas coleções do jornal Tentativa, utilizado desde então como referência por pesquisadores às voltas com a vida cultural do final da década de 40 e início dos anos de 1950. Exemplo desse interesse é o projeto Proposta para uma revisão da crítica e da história da poesia brasileira da geração de 45, desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia, com o auxílio do CNPq.

Osvaldo Duarte, 1960, vive em Vilhena – RO. É licenciado em Letras – Português e Latim pela Unesp – Assis e mestre e doutor em Teoria da Literatura e Literatura Comparada. Foi diretor do campus de Vilhena da Unir entre 2002. Atualmente é Coordenador do Doutorado em Letras/Dinter Unir-Unesp, Campus de São José do Rio Preto.